
E você que está ali, e que, inocentemente ou não, faz parte desse universo abre sua caixa postal e dá de cara com um e-mail que diz: parabéns, hoje é o dia do consumidor! Seu queixo cai, sua boca se abre, você quer soltar um berro daqueles bem escandalosos porque era mesmo só o que faltava. Todos os dias, você pensa, já são dias do consumidor. Das necessidades às superficialidades, consumimos sempre. É como nascer filho, sempre se é de alguém. Consumidores somos de tudo, o tempo todo e, numa época como essa, em que temos visto salários reduzidos, demissões em massa, crise para todo o lado, vamos aceitar essas felicitações? Ora, me poupem!!!!
Ah, que bom seria ser hipócrita nesse momento e sair por aí com um belo cartão de crédito consumindo. Sapatos, rasteirinhas, bolsas, vestidinhos adoráveis, a nova moda outono-inverno com todas as suas tendências em cores e sabores, aquele colar maravilhoso de bolas com os brincos, livros e mais livros de comunicação e poesia, um carro zero com aquele cheirinho delicioso, ah, que delícia consumir e ainda, de quebra, depois, ir num restaurante bem legal e comer aquela comidinha só para não ter que lavar a louça depois de chegar em casa cansada de tantas compras. É uma malhação séria sair por aí gastando. Hummmmm, seria bom, certo?
Pois são em momentos como estes que temos que parar e analisar todo o lixo que nos é lançado por onde quer que passemos. Nos jornais, na TV, na rua através de homens-propaganda, nos cartazes de promoções, nos outdoors, na internet onde havíamos entrado só para pesquisar uma citaçãozinha para iniciar aquele artigo. A vida está perigosa. Em momentos de crise, melhor dobrar a concentração e o trabalho e gastar menos para ver o depois como é que vai ficar. No entanto, infelizmente, a grande maioria da população não pensa assim e aceita os parabéns por mais este dia, o mais comercial de todos, enfim. E sai gastando os fundilhos para ficar devendo ao banco até as cuecas que usa.
É nessas horas que eu penso o porque de ensinar às pessoas desde pequenas a importância da leitura. Quando se lê muito, quando se lê de verdade, logo sacamos o que é bom e o que não presta, sabemos separar o “joio do trigo” (para usar aqui uma sabedoria a mais,) e não caímos em certas ciladas, ou melhor, tentações. Desde o conhecimento de gibis, revistas, jornais aos livros mais importantes de nossas vidas, a leitura sim é que nos salva, pois além de nos proporcionar o poder de viajar a mundos que nem conhecemos sem sair do lugar – e portanto sem gastar nada – ainda nos faz tornarmo-nos seres melhores perante a terra que habitamos. Que mais alguém pode querer além de um universo interior rico? Vamos pensar nisso e não permitir que nos dominem. “A vida é vasta, ter é tardar”, já disse Fernando Pessoa. Tenhamos, vida e sabedoria, pero “sin perder la ternura (e La cabeza) jamas”.


